Painel de Pesquisa 1

Potencialidades do uso do cinema no ensino de história:
ficção, representações de gênero e cultura histórica

Maristela Carneiro, Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná

Proponho discutir as representações de gênero e a construção da memória colonial nas narrativas do cinema histórico nacional, tendo como recorte os filmes que tematizam a colonização da América Portuguesa (1500-1815). Filme histórico é aqui compreendido enquanto modalidade narrativa, ou seja, filmes que possuem temática histórica, colocando indivíduos – “reais” ou ficcionais – no centro do processo histórico. O corpus de minha análise abrange 22 longas-metragens, produzidos entre 1937 e 2014, a partir de diferentes intencionalidades e com variadas perspectivas de narratividade e de enfoque histórico. Tomado enquanto ato de interpretação histórica e complementar à historiografia, não resta dúvida sobre o potencial dos usos do cinema como ferramenta histórica e analítica – em especial no ensino de história. A narrativa estruturada em cada um dos filmes eleitos, de O descobrimento do Brasil (Humberto Mauro, 1937) até Vermelho Brasil (Sylvain Archambault, 2014) é uma teia formada pelos diferentes significados construídos pelos desenvolvedores, de forma dinâmica e aberta a diferentes tecnologias, conceitos e fenômenos – dentro dos limites da produção e difusão cinematográfica. A escolha por esses filmes, em particular, enxerga neste suporte narrativo um espaço de produção de sentido histórico, à medida que a produção cinematográfica é entendida como um aparato tecnológico detentor de funções políticas, capazes de estimular diferentes possibilidades para a pesquisa e para o ensino de história.

Painel de Pesquisa 2

A pesquisa em História de Mato Grosso: Historiografia e fontes (séculos XVIII e XIX)

Nauk Maria de Jesus, UFGD – Universidade Federal da Grande Dourados

Neste painel abordaremos as pesquisas sobre a História de Mato Grosso, referentes aos séculos XVIII e XIX, desenvolvidas nos Programas de Pós-Graduação em História das Universidades Federais da Grande Dourados (UFGD) e de Mato Grosso (UFMT), ambos criados em 1999. Alguns dos temas a serem abordados, tiveram como ponto de partida as pesquisas iniciadas nas graduações, o que evidencia o processo de formação do professor-pesquisador desde o ingresso no ensino superior e a efetivação do papel da universidade na sociedade brasileira. Da mesma maneira, no que diz respeito às fontes documentais consultadas, a maior parte delas estão guardadas nos acervos localizados nos estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul. Assim sendo, com este trabalho temos como finalidade conectar as historiografias mato-grossense e sul-mato-grossense, destacar os avanços e lacunas no que diz respeito aos assuntos estudados, apresentar o universo documental consultado, e, de certo modo, lançar questões sobre a produção desse conhecimento e a relação com o ensino de História na educação básica em tempos de crise.

Painel de Pesquisa 3

Cultura digital e ensino de História: caminhos teórico-metodológicos de pesquisa

Aléxia Pádua Franco, UFU – Universidade Federal de Uberlândia

Por meio do levantamento, apresentação e análise de resumos de pesquisas defendidas em programas de pós graduação acadêmicos e profissionais em Educação, História, Tecnologia e Comunicação, pretende-se refletir sobre a importância de se pesquisar a relação entre cultura digital e ensino de História no Brasil; o processo de elaboração do problema de pesquisa e/ou do produto de pesquisa por meio da análise de similares e pesquisas em repositórios digitais de teses, dissertações, eventos e artigos; o embasamento teórico e metodológico de pesquisas que envolvem tecnologias digitais de informação e comunicação – TDICs, ensino de História e cultural digital. Objetiva-se também contribuir para a compreensão de contextos e desafios que envolvem pesquisas sobre cultura digital e ensino de História: a questão da inclusão e exclusão digital no Brasil; a guerra de narrativas históricas; o papel da escola e do ensino de História no processo de inclusão na cultura digital; os desafios do uso das TDICs em sala de aula, mais especificamente, nas aulas de História; a relação entre memória, história, ensino de História na cultura digital.

Painel de Pesquisa 4

Aprender história da África através da literatura

Bruno Pinheiro Rodrigues, UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso

A presente proposta visa explorar a potencialidade da literatura para o ensino de História da África. Para tanto, o painel de pesquisa contará com reflexões teóricas acerca do uso da literatura e ensino de história, a apreciação das literaturas produzidas especialmente nos países lusófonos – Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Angola e Moçambique – e, finalmente, com leituras e dinâmicas em torno de contos, poesias e excertos de romances elaborados por autores nascidos na África. Salientamos que o trabalho com a literatura, além de se revelar uma potencial e promissora estratégia para o aprendizado sobre a África junto a estudantes da educação básica, é uma oportunidade singular para o conhecimento das sociedades africanas a partir de “baixo”.  Existe uma gama de pesquisas nas chamadas áreas de história cultural e social que foram desenvolvidas a partir da ideia de que a literatura é ferramenta especial para o trabalho com as massas “anônimas” e setores subalternizados da sociedade. A título de exemplo, mencionamos dois estudos: “Cultura e Sociedade” de Raymond Williams (1969), e “O grande massacre dos gatos” de Robert Darnton (1986). Lembramos ainda que esta proposta alinhada com o debate nacional em torno da lei n. 10.639, que determinou em 2003 a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura afro-brasileira, estrategicamente nas áreas de Educação Artística, Literatura e História. Desde então, de norte a sul do Brasil, vários esforços foram realizados no sentido de tornar realidade o disposto pela lei: realização de dezenas de Colóquios, Seminários, Congressos, crescimento de publicações e pesquisadores sobre a temática africana e afro-brasileira, criação de disciplinas nas universidades públicas centradas na temática, entre outras ações. Face a todo esse quadro, entendemos ser possível não somente contribuir para formação discente e docentes da rede pública, mas principalmente, estimular maior sensibilidade para a necessidade de se pensar as contribuições dos afrodescendentes no país, com vista ao desenvolvimento de uma sociedade mais justa e tolerante com as diferenças étnico-culturais.

Painel de Pesquisa 5

História indígena: Mato Grosso Colonial

Loiva Canova, UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso

O painel da pesquisa propõe explorar as experiências de trabalho sobre a história indígena em Mato Grosso destinadas aos profissionais que atuam no ensino fundamental e médio na pesquisa em nível de pós-graduação. Tem por objetivo apresentar uma narrativa esclarecedora a respeito das relações estabelecidas entre os agentes da conquista e os indígenas (no caso mais detalhado dos Paresi e dos Paiaguá), no decorrer da primeira metade do século XVIII. Essa conversa permitirá compreender parte das relações e conflitos interétnicos constitutivos da história colonial brasileira e, em especial, de Mato Grosso, quando houve as ações colonizadoras portuguesas. A intenção é mostrar de que modo os povos indígenas foram representados nos discursos dos agentes coloniais, em crônicas sertanistas e documentos oficiais da Coroa portuguesa, no período colonial.

Painel de Pesquisa 6

A formação inicial de professores de História: perspectivas em tempos de crise

Wilma de Nazaré Baía Coelho, UFPA – Universidade Federal do Pará

O painel propõe uma discussão sobre a formação inicial de professores em História, considerando o modo como os alunos e alunas de tais cursos percebem a formação oferecida, as demandas da Escola Básica e o que propõe as novas diretrizes para os cursos de licenciatura. Assim, o painel abordará: o perfil dos cursos de licenciatura em História; a concepção que os licenciandos formulam sobre a formação recebida; as demandas da Escola Básica, considerando a literatura especializada; e, finalmente, o que apontam as novas diretrizes curriculares sobre a formação inicial. Por meio da discussão proposta, pretende-se construir uma reflexão sobre as perspectivas para a formação inicial de professores de História em um contexto avesso às contribuições das ciências humanas e da História, em particular, na Educação Básica.

Painel de Pesquisa 7

Educação Histórica: teoria e pesquisa

Geyso Dongley Germinari, Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná

As investigações em Cognição Histórica, também denominadas pesquisas em Educação Histórica, vêm sendo desenvolvidas com certa intensidade na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Portugal e Brasil.  As pesquisas tomam a aprendizagem histórica como objeto de pesquisa. A perspectiva da Educação Histórica apresenta-se, hoje, com fundamentação científica própria, baseada em áreas do conhecimento como a Epistemologia da História, a Metodologia de Investigação das Ciências Sociais e a Historiografia. Assim, a Educação Histórica constitui-se como teoria e aplicação à educação de princípios que levam em conta os dados recentes da cognição histórica. As análises sustentadas nos pressupostos teórico-metodológicos do conhecimento histórico assumem, na atualidade, um conjunto de enfoques que podem ser resumidos em três núcleos: a) análises das ideias de segunda ordem; b) análises relativas às ideias substantivas; c) reflexões acerca do uso do saber histórico. Nessa direção, o painel organiza-se em quatro momentos: a) o lugar da Educação Histórica no campo de pesquisa em ensino de História; b) fundamentos epistemológicos e metodológicos da pesquisa em Educação Histórica; c) Análise da produção acadêmica sobre o desenvolvimento do pensamento histórico de crianças e jovens. d) As relações entre pesquisa e prática na perspectiva da Educação Histórica.