Aprendizagem histórica em ambiente de escolarização

Marcelo Fronza, UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso – Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica (LAPEDUH/UFPR) Grupo de Pesquisa: Grupo Pesquisador Educação Histórica: consciência histórica e narrativas visuais (GPEDUH/UFMT/CNPq)

Ana Claudia Urban, UFPR – Universidade Federal do Paraná – Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica (LAPEDUH/UFPR) – Grupos de Pesquisa: Educação Histórica: Consciência Histórica e Cultura

Aprendizagem histórica em ambiente de escolarização diz respeito às relações entre concepções de aprendizagem e metodologias de ensino envolvendo temáticas como: novas relações com a natureza, conflitos, relações de dominação e resistência e a formação de identidades e formação do pensamento histórico. Acolhe experiências e investigações que tomem as questões anunciadas, a partir do diálogo com elementos da cultura escolar, tais como propostas curriculares, manuais e materiais didáticos e da cultura da escola, tais como práticas docentes e discentes. Pode-se afirmar que, no Brasil, acompanhando o processo que vem sendo desenvolvido em diferentes países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Irlanda e Inglaterra, grupos de investigadores têm focado suas atenções nas questões relacionadas às relações entre aprendizagem histórica na educação escolar e a formação da consciência histórica de crianças e jovens, bem como dos seus professores. Estes pesquisadores têm centrado sua atenção nos princípios, fontes, tipologias e estratégias de aprendizagem em História, baseando-se no pressuposto de que a intervenção para a melhoria da aprendizagem requer um conhecimento sistemático das ideias históricas daqueles que ensinam e daqueles que aprendem.  De um lado, entende-se a importância dos processos cognitivos pertinentes à natureza da cognição histórica situada na epistemologia da ciência da História (SCHMIDT, 2009). De outro, entende-se que a consciência histórica é, como afirma Jörn Rüsen (2012), o âmbito e o objetivo da aprendizagem histórica, pois trata-se de uma atividade mental da memória histórica, a qual se ancora em uma interpretação do passado. Esta interpretação tem como objetivo possibilitar a compreensão das atuais condições de vida e desenvolver perspectivas de futuro da práxis vital, conforme a experiência. A consciência histórica cumpre a função de orientação para a vida atual a partir da competência narrativa, que é a capacidade de se apropriar do passado de tal maneira que a realidade presente se torne algo compreensível, no sentido de fornecer orientação para uma ação ou intervenção do jovem estudante nesta realidade. Chega-se, aqui, ao conceito da competência de geração de sentido histórico, cuja referência teórica e metodológica é a própria “razão histórica”, pois, como defende Rüsen, as operações mentais da História baseiam-se no aprendizado, tornando-se, simultaneamente, um processo de aprendizado (RÜSEN, 2001). Os trabalhos de François Dubet (2005) sugerem a importância de problematizações e reflexões que indiquem caminhos para a construção de uma escola justa, em que o tipo e a forma das relações das crianças e dos jovens com o conhecimento não influenciem, também, a multiplicação das desigualdades sociais. Assim, são importantes as experiências de prática de docência, estudos exploratórios, investigações de curto, médio e longo prazo, que busquem explicitar as interfaces entre os conceitos substantivos, tais como revoltas, revoluções, conflitos, relações dominação/resistência – conteúdos específicos acerca da realidade social; e os conceitos de segunda ordem, tais como explicação histórica, multiperspectividade e narrativa histórica, que dizem respeito à forma como se aprende, que significados e características apresentam como fundamentos metodológicos para o seu ensino, que sentidos os sujeitos atribuem ao conhecimento aprendido (RÜSEN, 2012; 2016). Um inventário reflexivo e coletivo dessas questões no contexto das demandas atuais da forma escolar constitui um dos principais fatores determinantes da proposição dos GPD, no sentido de perspectivar reflexões que envolvam uma aprendizagem histórica voltada à internalização de projetos emancipadores humanistas.