O Ensino de História na encruzilhada: dos desafios às possibilidades da sala de aula

Patrícia Bastos de Azevedo, UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Maria Aparecida da Silva Cabral, UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro

O momento presente é complexo e desafiador, pois a educação está sob forte ataque. (NETO e SILVA, 2017; PENNA, 2017; SEFFNER, 2017). Especificamente no campo da história ensinada para crianças e adolescentes, em processos de escolarização, há uma intensa batalha por versões sobre a história recente do país, que envolve o golpe civil-militar em 1964 e a ditadura que se instalou no Brasil por vinte e um anos. (GREEN, 2017). Nesse cenário, a sala de aula, espaço privilegiado da ação do professor e do ofício de ensinar, tem sido alvo constante de críticas e ofensivas por parte de setores reacionários, que alinhados a uma ideologia neoliberal e de ultradireita, vêm ganhando força social desde as manifestações de 2016, ao ocuparem postos no legislativo e no executivo. Apesar de essa ambiência política se mostrar como desoladora, os profissionais da educação têm resistido e impulsionado ações que têm desmistificado o discurso autoritário e tecnicista em torno das práticas educativas e dos processos de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, pensar os desafios e as possibilidades da sala de aula torna-se premente, necessário e contra-hegemônico. O objetivo desse GPD é promover debates e reflexões decorrentes de pesquisas acadêmicas vinculadas aos campos da Educação e da História, que elegem a sala de aula como temática aglutinadora dos múltiplos saberes e fazeres dos professores de História (AZEVEDO, 2018); (CABRAL, 2018). Pretende-se focalizar os desafios e as possibilidades como elementos de convergência e disparadores de nossa interlocução, buscando coletivamente a produção de outras vias frente ao avanço do pensamento conservador, que produz limitações e entraves ao fazer pedagógico no micro espaço que é cada sala de aula pelo Brasil. Para isso, este GPD acolhe investigações sobre a construção dos saberes históricos em sala de aula, o protagonismo infanto-juvenil na aprendizagem da História, a elaboração de materiais didáticos diversos na produção do conhecimento histórico escolar e a proposição de sequências didáticas nas aulas de História. O diálogo e o conhecimento de realidades outras podem potencializar e fortalecer a prática docente no âmbito escolar. Muitas das ações teórico-práticas tanto na Educação Básica, como na Superior (graduação e pós-graduação) tidas como exitosas vêm sendo materializadas no desafio cotidiano do ensinar, sendo assim, devem ser valorizadas, divulgadas e problematizadas.